No passado dia 19 de setembro, os participantes da “Rota da Água” ficaram a conhecer o património hídrico do concelho de Sintra, numa visita guiada por trabalhadores dos SMAS de Sintra, que ao longo do percurso partilharam informação histórica e técnica sobre a água e o seu papel no território.
O passeio começou na Mina da Volta do Duche, onde existiram banhos públicos, fundados em 1848 por Bernardino Egídio da Silveira e Castro. Neste local, o grupo foi surpreendido por uma vendedeira de queijadas.
A viagem de autocarro prosseguiu, com passagem pelo Reservatório da Quinta Velha, sem paragem, e pelo Reservatório dos Capuchos, onde uma nova surpresa aguardava os participantes: Frei João de Santa Maria, frade capuchinho, que interage de forma animada com os participantes.
A visita continuou, primeiro pelas nascentes, por fim, pelos Reservatórios da Azóia e das Casas Novas. Durante todo o tempo os participantes ouviram com atenção as explicações dos trabalhadores dos SMAS de Sintra e puderam colocar questões e esclarecer dúvidas.
Conhecer para valorizar
Teresa Pestana, madeirense a residir no concelho de Sintra há 17 anos, soube da iniciativa através do site da Câmara Municipal de Sintra.
“Estou a gostar porque é uma oportunidade para conhecer a nossa água, o nosso património.”
Leitora da Folha Informativa Externa dos SMAS de Sintra, Teresa Pestana considera importante acompanhar as atividades e os projetos dos serviços municipalizados. Em casa procura adotar práticas sustentáveis, como a captação da água da chuva, a recolha seletiva de biorresíduos e a compostagem.
Inês Filipa descobriu a iniciativa através do Instagram.
“Estou a adorar. Os funcionários são simpáticos e atenciosos e passam-nos informação. O momento com os atores também foi dinâmico, trouxeram-nos até uns miminhos… Foi muito bom.”
A jovem tem bons hábitos para poupar água no dia a dia, como fechar a torneira enquanto lava os dentes ou utiliza a água na cozinha. Também transmite esses comportamentos aos filhos.
“Os meus tios e os meus avós falam dos tempos de antigamente, em que abriam a torneira e não tinham água a correr. Essa consciência, passada pelos mais velhos, faz-nos ter mais atenção.”
Susana Silva, trabalhadora dos SMAS de Sintra, participou por curiosidade.
“Não conhecia o funcionamento dos reservatórios. Gostei de ver como é que os reservatórios funcionam, a quantidade de água que é captada e os dados que foram transmitidos.”
O balanço é positivo e, na sua opinião, este tipo de iniciativa deveria chegar a mais pessoas, contribuindo para uma maior consciência sobre o percurso da água até às nossas casas.
Também Liliana Oliveira, que reside em Vila Franca de Xira, mas passa grande parte do seu tempo em Sintra, destacou, como motivo para a sua inscrição, a possibilidade de conhecer uma dimensão menos visível da Serra de Sintra.
“Achei a iniciativa muito interessante. Permitiu ver outras coisas, fora do comum, visualizar outros aspetos da própria serra, que é uma serra conhecida pela água. Ter a oportunidade de ver as minas e a forma como tudo isto se interliga acabou por ser muito interessante.”
Para Sara Duarte, residente na Eugaria, em Colares, a possibilidade de visitar uma mina de água foi uma das razões para participar nesta atividade com o marido.
“Cresci aqui e passo regularmente por estes caminhos, mas não via os reservatórios porque passam despercebidos. Muitas vezes quando abrimos a torneira, não valorizamos, nem percebemos a complexidade do processo de captação e tratamento da água.”
Lançada pela primeira vez em 2018/2019, a “Rota da Água” é uma iniciativa dos SMAS de Sintra que pretende dar a conhecer e valorizar o património hídrico do concelho. Este ano, a iniciativa integrou a programação das Jornadas Europeias do Património 2026, que decorrem até 27 de setembro, sob o tema “Reviver, resistir, reinventar”.











